sábado, dezembro 23, 2006

No Mais Alto Galho













Em tempos idos, no pé da serra,
Plantei um pé de poesia.
Olhei para o cume e almejei,
Que minha pequena semente ali nascesse.

Todos os dias regava com letras,
Adubava com rimas,
Acariciava com métricas.
Beijava com antíteses e metáforas.

E ela cresceu! Robusta, bonita.
Em cada folha, tristezas e alegrias se misturavam.
Em cada galho, uma história vivida.

A extensão da serra, ela acompanhou.
E no mais alto galho, um fruto nasceu.
Se dentro dele há mentiras e verdades,
Lágrimas e mágoas ...
Não sei! Agora não mais me interessa.
Só que de tão alto que ficou,
Inatingível se tornou.
E ali permanecerá!
Como prova de minha sobrevivência.

Quanto mais alto estiver.
Mais longe de mim estará,
Longe também dos bons frutos.
E apesar de estar no topo,
Um dia cairá ...
E então, tornar-se-á,
Um pouco de adubo à terra já nutrida...

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