AFASTA-TE
Insana sensação aparecendo,
amolecendo os tijolos já firmados.
Talvez tu nem estejas percebendo
que os sentidos estão balados.
Não posso te querer, caro doutor,
mas ao mesmo tempo balanço
a cada palavra desse autor.
E assim, corro sem descanso.
E no silêncio do meu querto,
busco teorias para te desviar
da sensação que permeia o coração farto
de não conseguir amar.
Paradoxal sentimento em inoportuna hora,
desmoronando o que já estava alicerçado,
confundindo o coração que já chora
por aturdir o trajeto ora traçado.
E ao pensar em tua boca me tocando,
arrepia-me a alma endurecida.
Sonhar com tuas mãos me entrelaçando,
acende minha tentativa garrida.
Mesmo assim vou te desviar.
Somos corpos distantes.
Não quero mais valsa a me embalar,
e nem primaveras oscilantes.




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