quinta-feira, novembro 13, 2008

Ígneo Fim


Terra pura aguardando o semear,
Planeja nesse campo medrar,
Verdes absolutos esse campo cobrir,
Pássaros a voar sob a flor que irá abrir.
...
Raios de sol para aquecer,
Em seguida a chuva para umedecer
E fazer a semente brotar,
Para tão logo a terra se vangloriar.
...
Em pouco tempo, o nada que era
Tornou-se campo florido na primavera.
Lindo e verdejante ...
Vida pura, energia radiante.
...
Tal qual uma deslumbrante pintura ...
Nada ofuscava aquela formosura ...
Oh panorama de alta contemplação,
Na verdade, sofismas do meu coração.
...
Mas um ruído inesperado minha mente desvia.
Era o velho vulcão que outrora adormecia,
Mostrou logo seu olhar enfurecido.
Irritado, queria tudo destruído.
...
Não pestanejou e a primeira lava liberou,
Alta e imponente ao paraíso se empinou,
Objetivava a tudo devastar,
E ao lindo verde acinzentar.
...
E assim foi! Lavas liberadas ...
Plantas desesperadas
Olhavam aturdidas toda a destruição,
E inertes, aguardavam a finalização.
...
Em pouco tempo, lindo quadro virou carvão !
...
Tudo se acabou!
Mas a energia da pureza ficou.
Nem mesmo o austero fogo pôde acabar
Com o que já foi vida e soube encantar.

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