Amanhã

Creio na força do sol, creio na natureza.
Quero acordar bem cedo e sentir.
Toda a força de Deus a me cobrir.
Apagar o passado e renascer.
E para o infinito correr.
E quando a noite chegar,
Deitarei para ver o luar.
O prateado sobrepondo-se a escuridão.
E novamente voltando minha razão.
Colherei cada fruto plantado.
Mas apagarei o futuro sonhado.
Escalarei a montanha da superação.
E calarei eternamente a dor do coração.
Tempo

Grãos de areias contam o tempo,
Palavras inúteis lançadas ao vento.
Conto todas as gotas do mar.
E vejo o infinito a aterrorizar.
Meus olhos fitam a distância,
Componho um verso em assonância.
Aguardo o sol em plena madrugada,
E adormeço com meus sonhos, fatigada.
Mas ao ouvir a natureza.
Meu peito dilacera em incerteza.
Então tinjo de amor os minutos.
Sigo em frente e aqueço meus frutos.
Aranha

Sobe e desce...
Constrói e cresce,
Sem fadiga, a trama tece ...
Quanta precaução!
Que esmero, que dedicação ...
Entre pontos e nós ela trabalha.
Adornando sua malha.
Na labuta permanece pensativa.
Nem o pôr do sol lhe cativa.
Absorta em caminhos tortuosos,
Cria atalhos perigosos.
Constrói, e tudo mais esquece.
Nada importa, nada apetece.
E a teia, cresce ...
Enfim, obra concluída.
Sente-se vitoriosa, protegida.
Agora pode sossegada viver.
E nada há para temer.
Enganou-se!
Veio a tempestade e o vento.
Impiedosamente acabaram com o intento.
Fios se misturam com decepção.
Mas a teia se desfez. Ela não!
Amanhece o dia ...
Sem mais demora ...
Sobe, desce, sobe, desce ...