terça-feira, novembro 01, 2011

OLHAR DE ANJO








Sou aquele que foi abandonado,

maltratado,

humilhado,

mutilado,

esquecido ...


Se algum dia tive um lar,

não tive alguém para me amar.

Tive meu sossego dirimido,

e do mundo excluído


Já no beco morando,

pus-me a chorar clamando

para um novo dono me encontrar,

e quem sabe me albergar.


Pessoas passam por mim sem me ver.

Sem sequer perceber,

o quanto dói um abandono

por aquele que se dizia meu dono.


Não tenho voz para rogar,

apenas um olhar,

OLHAR DE ANJO para dizer

Que tenho direito de viver.


E depois de tanto sofrimento,

alguém observou meu lamento,

E me trouxe para este provisório lar

Que conseguiu meu medo aclarar.


Hoje sou amado, mas é impossível esquecer

que alguém tentou minha alegria fenecer,

mas continuo com o OLHAR DE ANJO nessa jornada.

Aguardando definitiva morada.

VIDA DE POETA



























Quando amanhece, acende a lua.

É com ela que busca inspiração.

É com ela que trabalha a versificação.

Saindo em busca de rima em qualquer rua.


Sonha poeta, sonha ...


Que poder é esse de mudar a realidade?

Lembrando Pessoa que o poeta é fum fingidor

Que finge tão somente que é dor,

sem comprometer sua identidade.


Rima poeta, rima ...


Peço aos Céus que no meu passamento,

A poesia me siga em disparada,

E mesmo distante seremos dupla ensolarada,

compondo o amor ou o lamento.


Sonha poeta, sonha ...


Bardo desenhista de sensações,

Chora e ri no mesmo tempo,

que compõe uma estrofe flutuante,

inserindo em versos suas emoções.


Rima poeta, rima ...


É impossível a lágrima dele secar.

Para o clímax é adubo vital,

é forte sentimento colocado em nau

para em algum porto distante atracar.

é forte sentimento colocado em nau

AFASTA-TE






































Insana sensação aparecendo,


amolecendo os tijolos já firmados.


Talvez tu nem estejas percebendo


que os sentidos estão balados.




Não posso te querer, caro doutor,


mas ao mesmo tempo balanço


a cada palavra desse autor.


E assim, corro sem descanso.




E no silêncio do meu querto,


busco teorias para te desviar


da sensação que permeia o coração farto


de não conseguir amar.




Paradoxal sentimento em inoportuna hora,


desmoronando o que já estava alicerçado,


confundindo o coração que já chora


por aturdir o trajeto ora traçado.


E ao pensar em tua boca me tocando,

arrepia-me a alma endurecida.

Sonhar com tuas mãos me entrelaçando,

acende minha tentativa garrida.


Mesmo assim vou te desviar.

Somos corpos distantes.

Não quero mais valsa a me embalar,

e nem primaveras oscilantes.


PESO

















Peguei um pedaço de jornal

E um barco montei.

Até mesmo uma vela ornamental,

num pequeno mastro coloquei.


Nele, um pouco de mim estava.

Com um misto de tristeza e esperança,

meu mastro eu carregava

e o olhava como uma criança.


Eram sonhos, desejos de felicidade,

mágoas e rastros de desilusão.

Farelos dos cristais da minha idade,

espalhados no meu coração.


E decidida fui ao mar,

na tentativa de tudo esquecer.

Queria ver o barco já pesado afundar.

Queria ver as poderes sementes perecer.

SÓ NA POESIA


















Quem sonha com um grande amor?

Amor é ligeiro momento,

É voo de condor,

É fonte de lamento.


Então, freias teu rugido.

Retenhas tua graça

e não espere por um sim fingido

e nem vinho em bela taça.


Só sei fazer amor em verso

escrito com Nanquim,

onde transformo o verbo falso,

em presente para mim.


E na conclusão de uma estrofe ardente,

Vibro com o amor descrito,

Gozo com a rima latejante

E derreto-me em sorriso infinito.

VAZIO














Vejo o sol se pôr

e a angústia correr.

Sinto no peito a dor

De nada acontecer.


Nem terra, nem céu

podem denunciar

meu coração coberto com véu

que teima em funcionar.


O grito que agora ensaio,

sufoca-me pela madrugada.

Trava-me as pernar ... e caio

no chão frio, na noite gelada.


Já não posso sequer ver

minha imagem no espelho refletir.

Não sinto mais o calor do amanhecer.

Só a solidão a me punir.