Princesinha do Sertão

Oh eterno berço dos meus sonhos perdidos,
Que madrugadas inteiras abrigou meus gemidos.
Mesmo assim, ainda tocas o meu peito.
E a saudade te levas ao meu leito.
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Ainda um dia hei de voltar.
E teu céu estrelado contemplar.
Só não verás mais nenhuma lágrima perdida.
Apenas a marca que deixastes em ferida.
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Relembro-me saudosa dos amigos conquistados,
Bem poucos, porém abrigados,
Em meu peito e por toda eternidade.
Guardados em sentimentos de verdade.
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Na certa, quando teu solo pisar novamente,
Meus olhos brilharão intensamente.
Quero deixar a brisa me tocar.
E teu sol, minha pele queimar.
Vou Procurar

Por onde anda aquela menina de outrora andará?
Talvez perdida em densa mata,
Talvez absorta em novos sonhos,
Ou talvez esquecida nas lembranças do tempo.
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Ainda ontem escalava a montanha sorrindo.
Abria espaço nas nuvens e sonhava ...
Via o mundo com olhos acabrunhados,
Mas seguia reto visando seu baluarte.
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Já chamei, a até seu nome gritei,
Mas ainda não a reencontrei.
Seu nome pela fria caverna ecoou,
Porém em seus ouvidos nunca chegou.
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Será que ela ainda sonha com lindas manhãs?
Ou será que o inverno seu imo tocou?
Não sei dizer ...
Só queria aquela lindo sorriso rever.
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Quem sabe um dia ela volte,
E retome à pintura da tela da alegria,
Que esqueceu num canto qualquer ...
Vitória

Amanheci com um doce aroma a me espargir,
E uma suave cantata pude ouvir.
Impossível era descrever aquele fagueiro momento,
Puro e claro, tal qual um rebento.
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Bispei um enorme clarão.
E assim assustada, caminhei sem excitação.
De lágrimas meus olhos acogularam,
E instantaneamente meus joelhos se curvaram.
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Estava diante da mais bela imagem.
E aquele alvo manto tocava-me com a aragem.
Inerte fiquei, meio acabrunhada.
Admirando aquela visão sagrada.
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Até pensei estar sonhando...
Mas era real. Suas mãos estavam me abençoando,
E Seu olhar penetrante,
Mostrava que me tirou de um passado distante.
O Muro da Proteção

Inicío meu muro com o tijolo da decepção,
Ainda não sei bem qual sera dimensão,
Só sei que quero muro reforçado,
Que impeça a passagem de mais um tornado.
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No segundo tijolo, reforço o cimento.
Na esperança de findar todo sofrimento.
E ponho mais um, mais outro, e sigo adiante.
Registrando meu prazer hilariante.
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Quanto mais o passado me vem à mente,
Boto mais um tijolo na minha frente,
E assim o muro cresce, e assim ele bloqueia.
Como uma aranha a tecer sua teia.
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Analisei seus dois lados friamente,
E sem exitar decidi finalmente:
O lado de fora eu vou esfumar,
E o lado de dentro, lindas flores desenhar...
Sem Regras

Não quero regras para dizer,
O quanto sua quero ser.
Esqueça as rimas, as vírgulas e os pontos.
Mire-se apenas em nossos encontros.
Esqueça dogmas e condições,
Distância e desilusão.
Abrace-me inteira, sem medo ...
Possua meus sonhos, desvende meus segredos.
Me ame de qualquer jeito.
Descanse teu suor no meu peito.
Quero nosso calor misturar,
E as noites mais frias esquentar
Mudança de estação
Oro por luz para num baluarte chegar.
Névoas de insensatez irão se dissipar,
Talvez sonhos de materialidade não mais me seduzam.
Quero apenas que as mão de Deus agora me conduzam.
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Deixei de lado todo abissal sufocante.
Superei tormentas de caminhos errantes.
Toquei a ponta do céu com minha perseverança.
Agora, só caminho com segurança!
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Se lágrimas consegui derramar.
Não me arrependo, pois fui capaz de de abalançar.
Minha cachimônia aprendeu a reter toda emoção,
E adubar meu peito para próxima estação.
Reverso Da Poesia

Só o poeta pode vaticinar.
Em suas tramas, pode tudo traçar
Criar reverso e verso factíveis.
Ou tornar todos os pensamentos visíveis.
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Com destreza, empunha seu lápis bravamente,
Junta as letras, e em cada poema cria um mundo diferente.
Deixa a idéia livremente voar,
E a fagulha de um novo texto começa a brotar.
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Então, mágico ele deve ser.
Pois consegue fazer a noite amanhecer.
E se seu peito dói de tristeza,
Consegue na poesia defraudar com destreza.
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Mas eu sei! Ele não é mágico não.
É um humano buscando uma solução.
Quem sabe tentando se descobrir em cada rimar,
E fazer momentaneamente sua dor calandrar.
Sorriso

Introduzo em meu cérebro um discurso eloqüente,
Na tentativa de preencher a felicidade ausente.
Não tenho mais dor latente!
Apenas lembranças ruíns de um passado presente.
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Não consigo mais sequer uma lágrima rolar.
Quero, como um passe de mágica o passado abastardar.
Consegui até o soluço e a dor abafar.
E em oceano distante despejar.
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Agora, necessito de novo aprender a sorrir.
Defender-me do negrume escondido em imagens a me seguir.
Vou deixar agora a luz ofuscada reluzir,
E cadenciar meu passo para prosseguir.
No entanto, não sei como fazer ...
Esqueci o som da nota e como a canção reger.
Será que preciso renascer?
Não sei! Só posso dizer que quero viver.