Viver em versos
segunda-feira, julho 16, 2007
terça-feira, julho 10, 2007
Adeus Meu Anjo

Agora o cordão se rompeu,
Como uma tempestade em céu de breu.
Perdi o que na verdade nunca tive,
Pondo impiedosamente meu sentimento em declive.
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Ao ouvir que a partida era inevitável,
Senti-me um grão de areia imprestável.
Lembrei-me de teu sorriso de menina.
E agora lança-me tua unha felina.
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Teu amor não pude conquistar,
Apesar de querer te ninar,
Respeito teu ódio, teu rancor.
Mas meu peito será sempre repleto de amor.
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Talvez não nos vejamos jamais,
Mas envio ao teu encontro a pomba da paz.
Seja feliz em meio aos teus.
Que em minhas preces te remeto o olhar de Deus.
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Se não fui a mãe que sonhastes, me perdoe!
Então, uma bela canção de amizade entoe.
Quem sabe um dia você possa me enxergar,
E perceber o quanto eu tentei de amar.
Psicopoesia

Só a poesia pode adentrar em meu corpo,
E percorrer veias e músculos,
E entender meus objetivos,
Que nada mais são do que sonhos nunca realizados.
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O meu remédio está nas letras e nos sons das rimas.
A minha cura consiste em enxergar o real.
Não desistir de lutar, mas nunca conseguir obter a vitória.
Acordar e dormir só para o tempo passar.
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Nem sei mais o quê, e a quem rogar.
Clamo pela paz aos quatro ventos.
Entrego ao bem-te-vi os meus apelos.
E na mesmice dos meus dias, aguardo a resposta.
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Queria ter asas para voar aos céus,
Queria voz estridente para ecoar no silêncio da noite.
Queria pernas que me guiassem para a felicidade.
Queria braços longos para alcançar a mão de Deus.
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Nada disso posso ter,
Então ensaio uma melodia para a mim mesma enganar,
E imaginar que tudo isso um dia vai chegar.
E a mão de Deus que tanto quero alcançar,
Possa enfim me afagar.
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Faço poesias para fingir,
Assim como Pessoa o sugeriu.
Dessa forma, tudo torna-se mais fácil de aceitar.
O dormir e acordar de uma vida vazia.
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Só as rimas, os poemas são capazes,
De toda essa angustia mudar,
Mesmo que a dor nela se expresse,
O conforto de concluí-las revestem minh´alma ...




