Sem título
Amigos, navegando pela Net encontrei esse poema maravilhoso e incontestável valor, porém sem título e sem autor. Aqui o reproduzo e, caso saibam algo sobre ele, por favor, informem-me.
Acerta a tua vozpelo rigor da ternuraacerta o coraçãopela violência do gritoacerta o teu olharpelas lágrimas da vidaE nãopelo discurso,pelo relógio,pelo apitoque marca a hora certada entrada e da saída.
Lá atrás
Como eu queria tudo agora pausar
E no tempo poder voltar.
Sem restrições, sem nenhuma preocupação
Apenas entretida na emoção.
Que vontade de rever meus amigos.
De brindarmos aos momentos antigos.
Dar risadas e a dor esquecer
Curtir ao máximo sem nada esquecer.
Bom seria a família reunida novamente.
Ninguém triste, ninguém doente.
Meu amado pai à cabeceira agora vazia
Indagando a todos como foi nosso dia.
Não posso voltar, mas está tudo gravado
Nenhum detalhe será descartado.
Nem a lápide cobrirá minhas lembranças
De que fui a mais feliz das crianças.
Missiva
Desculpe-me, amigo, pela falta de informação.
Deixar de escrever não foi minha intenção.
Pouco de novo tenho a contar.
A mesmice teima em me acompanhar.
A saúde está forte.
Ontem, o doutor disse que tenho sorte.
Minha respiração não esmoreceu
Nem a rotina a estremeceu.
Aqui, só corre a minha idade.
Esta sim, não perde a oportunidade
De cada dia andar,
E meu rosto marcar.
Asim que algo novo acontecer
Prometo que volto a escrever.
Não é preguiça, é que a palavra não vem,
Quando assunto não se tem.
Amigos para sempre
Bálsamo da minha tristeza,
Brincando, com alegria e proeza.
Surge de mansinho
Me preparando um carinho.
Se o mundo me recrimina
Tua fidelidade me anima.
Como é bom ter sempre comigo.
Meu melhor amigo.
Nos momentos de agonia
Só tu entendes em sintonia.
E sem nada falar
Transmite a mensagem pelo olhar.
Não importa a raça, não importa o nome.
Tu és a companhia que não some
E nos momentos de aflição,
É a tua pata que me dá a solução.
Teus gestos despem teu coração
E consigo lá dentro pegar a tradução
Daquele doce olhar
Que me põe a te admirar.
Se quero abraçar, tu és o primeiro,
Pois em troca recebo carinho faceiro.
Faltam palavras para dizer
Que é muito bom contigo viver.
FRIEZA
Levantei a mão e te fitei
Naquele instante, com nada me importei.
Queria para sempre partir
E nossos caminhos dividir.
Uma imagem sombria ficou.
E o mórbido silêncio se instalou,
Quando vi tua lágrima rolar
E a palavra em tua boca calar.
Não exitei! Segui em frente.
Entreguei nossas vidas em sol poente.
Nem a mala mal arrumada
Tocou a minha alma gelada.
Como pude ser capaz
De assassinar a nossa paz?
Como pude fazer isso contigo?
Como pude fazer isso comigo? ...
ESCULTOR
De tudo já havia criado.
Até seu sentimento já foi desenhado.
Já não conseguia mais inspiração
Para demonstrar tanta emoção.
Resolveu criar um gigante de jornal.
Mas as tragédias em alto grau
Fizeram o boneco chorar.
E a obra veio a esfacelar.
Foi escolher linda madeira
E talhar uma figura faceira.
Inibiu-se! Escutou uma lágrima silenciosa
Que ecoou da frondosa.
Ajoelhou-se e pediu a Deus um sinal.
Almejava algo realmente especial.
Queria que sua habilidade
Servisse de tônico para humanidade.
Inconsolado estava o artista.
Até que avistou re4luzente ametista,
Inspiradora fonte de inteligência
Que poderia ajudar a Terra na sobrevivência.
Desenhou o mundo com mestria,
Pois sabia que aquela energia
Cravejada na imensidão
Salvaria o mundo da desinformação.
TODA NOITE
Não é preciso a luz acender
Para o anoitecer perceber.
Com elevem o frio.
E o triste anúncio que o sol sumiu.
Logo percebe-se que o sombra errante
Dispõe-se a trazer dúvida abundante.
Vem servindo champanhe em fina taça
Que astuciosamente me enlaça.
E já ébrio em alto teor.
Manifesto todo meu torpor
Sucumbindo meu pranto infatigavelmente
E toda escravidão da minha mente.
Demônios e fadas aparecem.
Sedentos de orgia me enlouquecem.
Rogo a Deus que me ilumine.
E que mais uma noite termine.
Depois de muita oração
Vem aluz da salvação
O amigo galo começa a cantar
Anunciando que a luz do sol vem raiar.
QUEM FOI?
Onde estou? Esta não é minha casa.
Quem colocou essa cama rasa?
Nem posso nela deitar.
Dói meu corpo e impede-me de repousar.
Esta casa é fria! A minha não!
Não me conformo com essa visão.
Cadê o meu quarto nacarado
Que acolhia meu medo velado?
Quem foi que destruiu?
Quem foi que atingiu
Aquela pilastra forte
E decretou a minha morte?
UMA SEMENTE
Governantes dos homens, atenção!
Teus olhos cobertos estão
Com o mais claro e fino véu.
Tornando o mundo apenas réu.
Se conseguem a erva daninha arrancar
Tentem algo mais do que mostrar
Os feitos para acabar com a violência.
Quem sabe algo oriundo de uma inocência.
Por que não fazer a semente florescer
Naquela pobre criança que veio a nascer
Sem condições de passos largos dar,
Sem condições sequer de se alimentar.
A boa semente que brota cedo no coração
Pode gerar flores de retidão.
Basta querer, basta fazer!
Basta a educação crescer!
Prisões fazem falta. Escola não?
Debulho-me em lágrimas com essa definição
Que só faz perder o potencial
Residente em alma ainda angelical.
DIGA NÃO AO NÃO
Basta olhar ao seu redor por um segundo
E perceber as façanhas do mundo.
Seja por Deus ou pela ciência
Quanta coisa criada nesta existência.
Jogue o medo ao léu
E torne o desafio um mel
Viajando com Santos Dumont em um avião
Atinja o céu com sua mão.
E com Visconde de Mauá na mente,
Que a vontade traga do poente
A construção da bela rodovia pavimentada
Que conduzirá seus passos nessa jornada.
Através do céu ou da terra, busque o sim
E transmute o lixo em jasmim.
Mesmo que o desafio seja rocha pesada
Deixe a inércia embalsamada.
Boca fechada
Não estou pedindo tua opinião!
Guarde teu verso e teu jargão.
Não quero tua presença nem teu favor.
Por agora, só a melodia daquele tenor.
Recolhas teus passos, querido.
Teu caráter já está ferido.
Leve tua somibria imagem
Em enorme e negra carruagem.
Jamais chegarás aos pés de Odin.
Então, afastas-te de mim!
Não és um deus brilhante
Nem um mendigo passante.
Brindar
Taças prontas para mais um toque dar
A fim de o ano novo celebrar.
Os mesmos rituais voltam a se repetir
E minha boca fingida começa a sorrir.
A maioria dos pedidos repetem-se novamente
E lembram-me que a realização está ausente.
Mas é preciso sustentar o vício da tradição
E vestir branco em meio à solidão.
Brindemos! Brindemos o desejo nunca realizado!!!
Vamos fingir o vislumbre marmorizado.
E ao som de "Adeus Ano Velho" vou dançar
E aguardar mais uma vez ano igual passar.
Saco Cheio
Lá vem o bom velhinho chegando
Com o peso em seus ombros lhe cansando.
Todos anos a mesma cena em sua vida,
E nos livros a repetida história é lida.
Entra ano, sai ano, os mesmos presentes a carregar.
Brinquedos, DVD e celular ...
Aborrecido, a lágrima vai rolando
E o pensamento divagando ...
Roga para encontrar um outro Noel
Que possa trazer agora do céu,
Um saco cheio de paz e felicidade
E fazer valer a real caridade.
Ao meu ouvido
Bem baixinho, confessa!
Diga que teu coração fez a promeça
De para sempre me querer e amar
E conseguir só meu nome chamar.
Mesmo que teus lábios digam não,
Vejo o trejeito de tua agitada mão.
Tentando tocar-me desesperadamente
E me possuir eternamente.
Ambos sabemos o peso do sim.
Então, fingimos seriedade, enfim.
Frente-a-frente só palavras ensaiadas
E as reais emoções desviadas.
Entre nós só fantasmas habitam.
E conflitam-se como almas que gritam
Sufocadas pela mais completa escuridão
Clamando por evadirem-se dessa prisão.
É sabido que nenhuma pedra deve ser removida
A fim de criar para a água uma saída
Que possa o negrume lavar
E o dia-a-dia descortinar.