quarta-feira, novembro 14, 2012

Meu sorriso





Ainda bem que existes, cantor.
Depois que te conheci, és o meu calor.
Destes-me novamente a vontade de viver,
E a ânsia de cada vez mais te querer.

Entregues em minhas mãos qualquer dor,
Transmutarei-as em puro amor.
Venhas com tuas mãos me incendiar,
E juntos, vamos cavalgar ...

Não digas nada! Deixes o momento falar
Deixes teu corpo eu beijar,
E sem regras, sem pensar no depois,
Brindaremos o cansaço de nós dois.

Não! Não desistas de mim jamais,
Não me abandones em um cais.
Te quero! Adoro o calor dos teus braços.
A apertarem cada vez mais nossos laços..

Porta aberta



No distante horizonte avistei.
Uma pequena porta que mirei.
Longe estava de meus pés machucados,
Mas sem demora iniciei passos marchados.

Pelo caminho encontrei um amigo.
E na hora da chuva fez-me um abrigo.
Segurou minha mão no cansaço,
Mas assim que repousei, sorriu com descaso.

Desatei nossas mãos e  novamente caminhei.,
Feliz, meu leme redirecionei.
Passos lentos não me afligiam
Nem mais os atalhos me confundiam.

Calor tão forte como num deserto.
Trouxe-me uma miragem bem de perto.
Uma porta mais bonita aparecia.
Atônita, minha mente se confundia!!!!

Exitei ...

A outra, mais longe se mostrava,
E a mais bonita me encantava,
Parei e aos céus pedi iluminação ....
Mais perto estaria a solução?

Ao me aproximar, não era real.
Era apenas o reflexo do areal.
Irritei-me! Pensei em desistir.
Mas um impulso me fez prosseguir.

Do cume, percebi a metragem.
Ainda longe estava aquela imagem.
Inexplicavelmente mais força ganhei.
E com um sorriso me preparei.

Não sei quanto tempo irei precisar
Para na abertura adentrar.
Porém, já sei que é você que lá vou encontrar
E mais uma vez tua linda imagem vou enamorar..

Erro





Subitamente um dia encontrei,
Algo brilhando e me assustei.
Era um raro diamante,
Que emudeceu-me por um instante.

Fiquei deslumbrada com aquela beleza.
E atônita pela rareza,
de ter encontrado sem ao menos procurar.
Algo tão difícil de se achar.

Por algum tempo dele me enamorei.
E num pedestal o coloquei,
Inexplicavelmente, uma brisa o derrubou ...
E em pedaços se quebrou.

Cada pedaço analisei ...
Era só um vidro ... Pasmei!
Naquele instante, senti vontade de chorar ...
Depois, aquela tristeza me fez gargalhar!!!!

ACALMA-TE




Creias! Te quero neste momento.
Não faças de nossas ânsias um tormento.
Deixes o sangue livremente ebulir.
E te garanto que mas irás me sentir.

Aquietes sem demora teu coração.
Curtas cada instante da nossa união.
O amanhã deixes por conta do céu,
E entregues tuas dúvidas ao léu.

Se teus beijos me fazem delirar.
É porque és um bravo a me encantar.
Saibas que tuas mão mãos me fortalecem.
E teus carinhos me apetecem.

Juro que cada instante desse amor viverei.
Nem por um instante esquecerei.
Tua majestosa voz me enaltecendo.
E nos teus braços enlouquecendo.

quarta-feira, novembro 07, 2012

Ela




Dentre várias marias deste mundo,
Lá está ela, pobre, sem casa para morar.
É a mulher que tem olho fundo
de tanto chorar ...

Roupas já rotas, seu corpo cobrem,
E este já farto de tanta desilusão,
Tenta acudir as células que já fenecem,
Buscando alento em uma oração.

O que fazer para a alegria voltar?
Se a ladeira diária insiste em crescer.
E se decide um atalho tomar,
De um novo monstro precisa correr.

Mas Maria ainda é Mulher, com certeza.
Com o lixo que recolhe do caminho,
Cria adornos com tamanha destreza,
E enfeita seu rosto com carinho.

Lá no fundo ainda consegue sonhar.
Quem sabe tua luta não é em vão...
Um dia ainda irá encontrar,
A Verdadeira Maria em sua direção.

Não te quero




Preciso abafar-te sentimento sublime?
Será que cometo um pecado?
Querer-te parece sinônimo de crime!
Mas prefiro manter-te de mim afastado.

Mesmo que um dia sinta tua mão amena
Afastarei de mim esse instante.
Não quero guardar no peito nenhuma cena,
De alguém que só pensa em ser navegante.

Gostaria de ter aversão acesa,
E minha pobre íris de negro pintar.
Sei que privaria-me de ver a natureza,
Mas da separação poderia me resguardar.

Não te vejo ao meu lado andando.
Te vejo como um louco vento,
Passando ...
Deixando-me uma lacuna de tormento.

HOMENAGEM A UM SIMPLES PANO ESQUECIDO





Pano que evitoy uma hemorragia,
E na guerra, foi usado como sinal de paz.
Sinalizou um pobre náufrago
Como também um corpo frio protegeu

Arrumemos então inúmeros panos,
Novos ou velhos, Pequenos e grandes.
Até sem cor pode ser ...
E vamos todos,
A poeira do mundo tirar ....

MUDANÇA NO TRAJETO







Peguei a caneta para te escrever
um poema e te oferecer.
Mas olhei para o lado e meditei
sobre a crueldade humana, e me bloqueei.

O poema não saiu, senhor.
Mesmo sendo você o autor
da vontade de contigo sorrir,
e ver teu corpo pela porta surgir.

Prefiro então ao sofrimento alheio orar
E por que com meu sentimento me preocupar?
Minha prece de algo pode valer,
Mas pensar em ti ...não vai me enobrecer ...

LUXO



Casa nova! Tudo perfeito.
Toda decoração do meu jeito.
O que há de melhor vou escolher
Para ver meu sorriso em todo amanhecer.

Lustres de cristal,
Flores exóticas no quintal ...
Mármore no chão,
Mas cimento no coração.

Todos os detalhes são analisados,
Deixando os olhos desvendados.
Cores bem fortes escolhidas,
Cobrindo dores enegrecidas.

Se de algum amor tiver lembrança,
Dilacerarei com dourada lança.
E se alguma lágrima rolar,
Dar-me-ei um caríssimo colar.

Fim ao menor indício de ridículo amor.
Mantenho-me apenas com meu calor.
Nem preciso mais de um luar,
Para poder "poetar".