segunda-feira, outubro 30, 2006

Vale ressaltar

É bom lembrar aos caros amigos que visitam meu blog que, conforme Fernando Pessoa ressalta em seu poema AUTOPSICOGRAFIA,( "o poeta é um fingidor, que finge tão somente que é dor, a dor que deveras sente") nem sempre o conteúdo expresso num poema, é a expressão da verdade. Se falo de dor ou de lágrimas, mentiras ou verdades, alegrias e desencontros, nem sempre dizem respeito a sentimentos "meus". Tenho diversos textos compostos, uns publicados outros não, em que falam de um determinado sentimento. Tal explicação se faz necessária porque ocorreram fatos desagrádaveis onde textos meus foram vinculados à determinadas pessoas. Quando componho algo dirigido a alguém específico, com certeza, o "muso" (ou "musa") será citado nominalmente. Na verdade, neste blog, os únicos "musos" são meus filhos Giuliana, Vitor, Yanka e Ygor.
E para descontrair ...


Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

segunda-feira, outubro 16, 2006

LUZ










Perguntei ao Sol,
Qual o segredo
Para sempre iluminar?
Ele respondeu:
- Perca o medo
- Deixe seu coração falar

Perguntei à flor,
Qual a magia
Para tudo perfumar?
Ela respondeu:
- Sorria!
- Só amor irá exalar

Perguntei à lua,
Qual o mistério
Para o poeta inspirar?
Ela disse baixinho:
- Aceite o brilho dos outros
- Você também pode brilhar

Aroma de Mentira







Doces palavras de amor,
Mentiras compostas em música e versos,
Tingem de negro a tua tez clara,
Mascarando o teu coração insano.

As rosas que tu me destes,
De um carmim contagiante,
Tomei como paixão,
Mas nada mais eram, do que o sangue da traição.

Enterrei a rosa no chão do meu coração.
Inesperadamente ela brotou...
Horrendas flores nasceram,
Neste pé de decepção!!!

Leão










H oje enxergo o leão distante,
A lém dos meus olhos e do pensamento,
R ugindo palavras ainda molhadas,
U ngindo nossos caminhos divididos.
N a fúria de fera apaixonada.

A lma que cala um passado,
R ecoberto de dissabores e erros.
S egredos que marcam nossas vidas.
L ânguido desejo de reencontro.
A lmas separadas por mares.
N ocivo remorso de angústia.

Faz-de -conta




















Este poema foi feito para o único "homem" que amei na minha vida. Harun Arslan









Icei o passado remoto,
E alcancei tua mão no adeus.
Beijei teus lábios carentes,
E senti a volúpía do teu coração.

Enterramos dogmas e desacertos.
Guardei na alma todo o medo,
De entregar-me.
Então, meu sorriso ecoou no teu imo.

Com dedos entrelaçados,
Salvaguardamos uma história,
De almas prometidas,
E corações apaixonados.

Duas Caras









O atro clarão deste dia,
Trouxe-me o calor da manhã fria,
Para vestir o coração desnudado,
E descadenciar o suspiro ritmado.

Entre o amor e a desilusão.
Fico com a razão.
E com a certeza de que nada é certo.
Quando vejo a água que permeia o deserto.

Mentiras e verdades desvendadas ...
Coração cada vez mais distante de teu olhar!!!

O Caminho Seguido









Em cada vão momento deste meu instante.
Agarro no leme desse mar distante.
E finjo graça com essa dor latente.
Afastando teu beijo da minha mente.

As estradas se confundem com amor,
Pois teu olhar se perdeu em palor,
Permitindo o destino irreal,
Abrigar-se nas tendas do teu ideal.

Diante da negra magia fincada,
Observo tua inércia marcada.
Afasto-me da dor que me deixou,
Mas ainda lembro do rio que me inundou.